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Plano de Saúde

Exame de genoma completo negado pelo plano de saúde: o que fazer

Klícia Garcia · OAB/MG 101.3674 min de leitura
Profissional de laboratório analisando resultado de exame genético

Exames genômicos são caros e frequentemente negados sob o argumento de que não constam do rol da ANS. Entenda quando a cobertura é obrigatória, o que a Lei 14.454/2022 permite e os requisitos fixados pelo STF.

O sequenciamento completo do genoma e o sequenciamento completo do exoma se tornaram exames decisivos na investigação de doenças raras, de deficiência intelectual sem causa definida, de quadros neurológicos de início precoce e no direcionamento de tratamentos oncológicos.

São também exames caros, e a negativa mais comum vem sempre na mesma forma: "não consta do rol da ANS".

Esse argumento, isolado, não encerra a discussão.

O que muda quando o exame não está no rol

A Lei 14.454/2022 alterou a Lei 9.656/1998 para estabelecer que o rol da ANS é referência básica, e que a cobertura de procedimento fora dele pode ser devida quando há prescrição médica e se verificam determinados requisitos.

Em 18 de setembro de 2025, ao julgar a ADI 7265, o Supremo Tribunal Federal deu interpretação conforme a Constituição a essa lei e fixou cinco requisitos cumulativos para a cobertura de procedimento não listado no rol:

  1. prescrição por médico ou odontólogo assistente;
  2. ausência de negativa expressa de incorporação pela ANS, ou ausência de pendência de análise para atualização do rol;
  3. inexistência de alternativa terapêutica adequada já incorporada ao rol;
  4. comprovação de eficácia e segurança à luz da medicina baseada em evidências, com evidência científica de alto nível;
  5. registro na ANVISA, quando aplicável.

Cumulativos significa que todos precisam estar presentes. A decisão fixou ainda deveres procedimentais ao juiz que aprecia pedidos dessa natureza — entre eles a necessidade de fundamentação específica sobre os requisitos —, sob pena de nulidade.

Para exames genômicos, o requisito 4 é o que concentra a discussão, e é onde o relatório médico faz diferença.

Verifique primeiro a situação do exame no rol

Antes de partir para a discussão sobre cobertura fora do rol, confira se o exame — ou a análise molecular correspondente — já está previsto, e sob qual Diretriz de Utilização. O rol contém procedimentos de análise genética com diretrizes que definem indicações específicas.

Se a indicação do seu caso se enquadrar na diretriz, a cobertura é obrigatória e a negativa é indevida sem que seja preciso invocar a Lei 14.454/2022. A ANS mantém ferramenta pública de verificação, e vale conferir antes de qualquer outro passo.

O que o relatório médico precisa conter

Este é o documento que sustenta o pedido. Um relatório genérico enfraquece um caso que teria fundamento. O relatório deve deixar claro:

  • a hipótese diagnóstica e o que já foi investigado — exames anteriores, com resultados e datas;
  • por que os exames de menor complexidade não foram suficientes para concluir a investigação;
  • qual exame exatamente está sendo solicitado (genoma completo, exoma completo, painel dirigido) e a razão técnica da escolha;
  • qual decisão clínica depende do resultado — mudança de conduta, indicação de tratamento específico, aconselhamento genético familiar;
  • a urgência, se houver, e o que se perde com a demora;
  • a literatura científica que ampara a indicação, com referências.

O item sobre a decisão clínica é o que separa um exame investigativo de um exame que muda o tratamento. É ele que costuma sustentar o requisito da evidência.

O caminho prático

  1. Exija a negativa por escrito, com o motivo e o dispositivo invocado pela operadora.
  2. Confira a situação do exame no rol e a diretriz de utilização aplicável.
  3. Reúna o relatório médico completo nos termos acima, com os exames já realizados.
  4. Registre a NIP na ANS. É gratuita e resolve parte das negativas que contrariam a própria regulação.
  5. Avalie a via judicial, com pedido de tutela de urgência quando o resultado do exame condiciona o início ou a mudança do tratamento. O artigo 300 do Código de Processo Civil é o fundamento; deferimento e prazo dependem do juízo.

Quando a negativa decorre de o exame não constar do rol, a petição precisa enfrentar os cinco requisitos da ADI 7265 um a um, com prova documental. Depois do julgamento do STF, pedido genérico tende a não prosperar.

Perguntas frequentes

O plano é obrigado a cobrir exame de genoma completo?
Depende. Se a indicação se enquadra em procedimento de análise genética já previsto no rol da ANS e na respectiva diretriz de utilização, a cobertura é obrigatória. Fora disso, a cobertura pode ser reconhecida quando presentes os cinco requisitos cumulativos fixados pelo STF na ADI 7265.

Fonte: STF — ADI 7265

O que o STF decidiu sobre procedimentos fora do rol da ANS?
No julgamento da ADI 7265, em 18/09/2025, o STF deu interpretação conforme a Constituição à Lei 14.454/2022 e fixou cinco requisitos cumulativos: prescrição do médico assistente, ausência de negativa expressa ou de pendência de análise pela ANS, inexistência de alternativa já incorporada, comprovação de eficácia e segurança com evidência científica de alto nível e registro na ANVISA quando aplicável.

Fonte: STF — ADI 7265

Qual a diferença entre exoma e genoma completo?
O sequenciamento completo do exoma analisa as regiões codificantes do DNA, onde se concentra a maior parte das variantes de efeito conhecido. O sequenciamento completo do genoma abrange também as regiões não codificantes. A escolha entre um e outro é técnica e deve estar justificada no relatório médico.
O que não pode faltar no relatório médico?
A hipótese diagnóstica, o que já foi investigado e por que não bastou, o exame exatamente solicitado, a decisão clínica que depende do resultado, a urgência se houver e as referências científicas que amparam a indicação.
Como saber se o exame está no rol da ANS?
A ANS mantém ferramenta pública de consulta ao rol de procedimentos, com as diretrizes de utilização aplicáveis a cada item. Vale conferir antes de qualquer outro passo, porque muda completamente o fundamento do pedido.

Fonte: ANS — Rol de procedimentos

Vale a pena reclamar na ANS antes de ir ao Judiciário?
Na maioria das vezes, sim. A NIP é gratuita, tem prazos curtos e resolve parte das negativas que contrariam a própria regulação. Mesmo quando não resolve, o protocolo documenta a recusa.

Fonte: ANS — Canais de atendimento

Fontes e referências

Se este é o seu caso

Análise da recusa de cobertura e das medidas cabíveis diante da negativa.

Negativa de plano de saúde

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A análise é individual e considera o quadro clínico, o contrato e os prazos envolvidos.

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